24 Fevereiro 2012






ATENÇÃO: ESTE BLOG ESTARÁ SENDO GRADATIVA E DEFINITIVAMENTE ELIMINADO.


AOS POUCOS, VÃO SENDO DEIXADAS APENAS AS POSTAGENS QUE CONSIDERO MAIS INTERESSANTES. E, DEPOIS DISSO, TODAS SERÃO ELIMINADAS.

NÃO O FAÇO COM QUALQUER PRAZER.

ESTAS QUATROCENTAS E VINTE POSTAGENS (ORIGINAIS, ALGUMAS JÁ FORAM ELIMINADAS), AO LONGO DE ALGUNS ANOS, DE CERTA FORMA REPRESENTARAM UMA ENTREGA. E APAGÁ-LAS SIGNIFICA "DELETAR" UM SONHO.

QUEM ESCREVE, O FAZ PARA SER LIDO (COMO ESCRITOR DO LIVRO; COMO BLOGUEIRO). E ERA PRECISAMENTE ISSO O QUE EU DESEJAVA.

COMO BLOGUEIRO FUI, AQUI, INFINITAMENTE MELHOR SUCEDIDO DO QUE COMO ESCRITOR. ENTÃO PELO MENOS UM POUCO DO VALOR QUE ISSO TINHA PARA MIM ACABOU SE JUSTIFICANDO.

NÃO É SEM TRISTEZA QUE SAIO SEM OLHAR PARA TRÁS. MAS, COMO EU DIGO SEMPRE (E A FRASE É MINHA), A CAPACIDADE DE AMAR DEVE SER PROPORCIONAL À CAPACIDADE DE TAMBÉM RENUNCIAR ÀQUILO QUE SE AMA, SE ASSIM FOR NECESSÁRIO.

Roberto Schultz.
anotado por ROBERTO SCHULTZ @ 11:00 AM  

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23 Janeiro 2008






MAIS DOIS FILMES RAZOÁVEIS, DIANTE DA FALTA DE FILMES - NAS LOCADORAS, AO MENOS - QUE NOS DEIXAM COM UMA SENSAÇÃO DE TER ASSISTIDO A ALGO DECENTE: MARIA ANTONIETA E O VIGIA.

As atividades intensas (principalmente as físicas; são poucas as atividades mentais) têm me deixado sem a paciência necessária para ver filmes neste janeiro meio paradão. E menos ainda para comentar aqui, depois, os filmes que tenho visto. Por isso vou acumulando filmes e os comentando "em grupos". Vamos a mais dois.

MARIA ANTONIETA - O filme não é novo, é de 2006, mas eu ainda não o tinha visto. O que me fez relutar em assisti-lo foi o comentário que alguém (distorcendo um pouco as coisas) me fez de que o filme era de época mas que a música que tocava nos bailes da Corte Francesa era puro e atual rock. Por essa razão, pensei que fosse um filme meio maluco e por um bom tempo eu "passava" ele na locadora. Me enganei; me enganaram. Não é um filme ruim. Dirigido por Sofia Coppola, filha do grande Diretor e figurão do cinema americano Francis Ford Coppola, demonstrou que a filha de peixe, peixinha é. A moça está madura, embora jovem. Direção competente e centrada, privilegiando uma versão mais agradável da princesa da França (a partir de uma biografia um tanto alternativa de Maria Antonieta), Sofia Coppola fez um filme de época com belas e grandes locações (no Palácio de Versalles, inclusive, local real dos acontecimentos), mostrando o ângulo da vida da Monarquia ANTES dessa mesma Monarquia cair. Ou seja, ANTES das cabeças começarem a rolar na guilhotina. Ela conta que a princesa austríaca Maria Antonieta (Kirsten Dunst, na foto da esquerda), com cerca de 14 anos, é enviada à França para se casar com o príncipe Luis XVI (Jason Schwartzman, na foto com ela), como parte de um acordo entre os países. O príncipe não parece muito interessado na moça e o tempo todo fica duvidoso no filme se ele NÃO GOSTA ou se ele NÃO SABE cumprir, digamos assim, as suas "obrigações de marido". Particularmente acho que ele não era gay, apenas inexperiente.O fato é que ele custa quase o filme inteiro para manter a "conjunção carnal" com a moça que, na época é cobrada rigidamente por todos para que engravide. Ela bem que tenta mas o príncipe...nada! Só quer saber de caçadas e de grandes banquetes. O sujeito é "bonzinho" e divertido. Mas não age como o marido. O fato é que a princesa, por falta dessa gravidez e por excesso de inveja da aristocaria, é envolvida em rígidas regras de etiqueta, ferrenhas disputas familiares e fofocas insuportáveis, mundo em que nunca se sentiu confortável. Praticamente exilada, decide criar um universo à parte dentro daquela corte, no qual pode se divertir e aproveitar sua juventude. Arranja, também, um amante, mesmo sendo casada com o príncipe. Só que, fora das paredes do palácio, a revolução feita pelo povo (a própria Revolução Francesa) não pode mais esperar para explodir. O filme traz uma versão "simpática" de Maria Antonieta que, na vida real, teve a sua cabeça cortada. Isso não chega a acontecer no filme, a trama é anterior. Mas demonstra que tudo caminhava para o fim que teve, muitas vezes por BOATOS alimentados contra ela. Essa antipatia por Maria Antonieta foi "vendida" ao mundo, com o passar dos séculos. O mais célebre desses boatos é aquele que conta que a princesa, desprezando a fome do povo (faltava pão) teria dito: "se o povo não tem pão, que coma brioches". Nos extras do filme os historiadores e a própria Diretora juram que isso jamais aconteceu na vida real. Não é um filme que acabe e a gente fique pensando "ah, pena que acabou...", mas é medianamente interessante.

O VIGIA - Um filme que mistura drama com "filme de assalto a banco". Conta a história de um esportista chamado Chris "Slapshot" Pratt (foto da direita, com o cego), cujo futuro brilhante no hóquei foi arruinado por um problema na cabeça, depois de um acidente grave de carro ocorrido por imprudência dele que matou amigos e aleijou a moça a quem amava. A partir do acidente, ou um tempo depois, o rapaz passa a viver sem memorizar as coisas mais rotineiras como tomar banho ou escovar os dentes. Tudo é preciso ser anotado e "agendado" num bloquinho que ele carrega, sempre, com ele. O problema é que - por ser mentalmente afetado - ele consegue apenas um emprego de vigia noturno num pequeno banco provinciano, onde todos sabem do seu problema e onde ele pleiteia uma vaga de caixa. A familia de Chris é rica mas, por causa do seu problema mental, o mantém afastado. Ele mora com um amigo inteligente e cego, que está com ele na foto acima. Um dia, bebendo num bar, ele conhece "por acaso" um homem que lhe mostra uma vida de maiores possibilidades. Apresenta-lhe uma moça bonita e festas e aventura. Para Chris, que perdeu todos esses sonhos (e o amor de uma moça) antes do acidente, aquela parece ser uma bela oportunidade. Só que, obviamente, o homem que lhe oferece tudo isso SABE que Chris trabalha num banco e parece interessado em "cobrar" algo em troca dos favores. Veja o filme sob o ângulo do sofrimento e das lutas afetivas e psicológicas do rapaz e esqueça a questão do assalto ao banco. A parte dramática é melhor do que a aventura policial, mero pano de fundo. Um filme médio, mas que também quebra o galho.
anotado por ROBERTO SCHULTZ @ 10:41 PM  

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01 Janeiro 2008






GORDO, CAFAJESTE E ESPECIALISTA EM "CORNOLOGIA": A VIDA DE TIM MAIA, POR NELSON MOTTA.

Escrevo, no primeiro dia de 2008, fumando um Angelina, ainda dos meus antigos. Ontem, dia 31 de dezembro, comprei três caros exemplares - também Angelina - da bitola chamada de "corona gorda"; um corona mais largo. E da Série A daquele fabricante baiano, feito a partir de sementes cubanas trazidas para o Brasil. A folha da "capa" também é cubana, mais escura e forte. Ganhei no Natal da Claudia um isqueiro específico para charutos, do tipo "maçarico", que queima a ponta do charuto por igual. Para quem fuma charutos, nada mais irritante do que uma queima desigual, com a ponta queimando mais de um lado do que no outro. Esse isqueiro parece realmente um pequeno maçarico, com a chama a gás saindo firme e forte. É preciso ter apenas o cuidado de não botar o dedo na frente, para não cheirar à pele queimada.

Bebo uma Heineken e ouço o excelente CD da negra e americana Carmen McRae, que já morreu há trocentos anos mas que teve o cuidado de deixar gravada a sua voz linda para ouvirmos.

Falando em voz, em música negra e em alguém que já não está entre nós mas que deixou a sua voz para ouvirmos, falo do brasileiro Tim Maia. E falo a partir do livro VALE TUDO - O SOM E A FÚRIA DE TIM MAIA, escrito pelo Nelson Motta (na foto, de óculos escuros). Pedi (e ganhei, obviamente) esse livro de amigo secreto numa festa de final de ano feita por uma empresa que é minha cliente. O livro, pela etiqueta da Livraria ("Ibirapuera"), foi comprado por um funcionário da filial de São Paulo da Empresa. E parece estar vendendo magnificamente em todo o Brasil. Quem dera SEGREDO E FIM atingisse isso. Sonhar não me custa.

Tim Maia era uma figura polêmica que ia além da sua velha fama de não comparecer aos shows. Ele realmente faltava aos seus compromissos e, muitas vezes, de propósito, por pura vingança ou birra. Noutras, a maioria delas, por ter ingerido/inalado/aspirado/bebido coquetéis intermináveis de maconha, cocaína, uísque Chivas Regall. Um detalhe: tudo ao mesmo tempo!!!

Tim se autodenominava, segundo o Nelson Motta (a quem ele chamava de "nelsomotta", assim, tudo junto), "gordo, cafajeste e especialista em cornologia". Eu, particularmente, sempre gostei mais das suas músicas "de corno" do que as outras, dançantes. E Tim, batizado originalmente de Sebastião Maia, começou tudo isso por ser um menino gordo; pobre e rejeitado pelas meninas. De certa forma, segundo ele também por ser discriminado pelos amigos "que deram certo" e que começaram a carreira junto com ele: Roberto e Erasmo Carlos, companheiros da mesma turma. Em todo o caso, Erasmo se manteve digno do seu respeito até o final da vida.

Aliás, dentre o mundo artístico, brigava com meio mundo, inclusive com o próprio Nelson Motta. E conservava alguns "amores" especiais e incondicionais aos quais eram fiel e solidário. O principal desses "amores" (porque amigos também são amores) era Rita Lee a quem Tim devotava uma imensa e bonita dedicação. Quando Rita, por um tempo, separou-se de Roberto de Carvalho e estava MUITO triste, foi Tim Maia quem lhe telefonou colocando-se à sua inteira disposição, à sua maneira claro, para curar a dor. E foi ele quem fez Rita sorrir. O gordo também gostava muito da então jovem e iniciante Marisa Monte a quem chamava ao seu apartamento e avisava, muito gentil, "pode vir tranquila que não vou tentar te comer". E Marisa ia.

O livro tem trezentas e setenta e poucas páginas e está cheio de detalhes que, em alguns casos, se repetem, pela simples razão de que Tim fazia tudo o que fazia sempre sob o signo da cocaína e do "goró" (a bebida).

Além da coca e da bebida, também o sexo. Na maioria dos casos, com prostitutas, duas de cada vez, que ele "encomendava" apenas para acalmar a sua solidão etílica e narcótica. Não apenas prostitutas mas também alguns - poucos - amores que ele "recrutava" entre as fãs, algumas bem jovens. Uma dessas moças teria sido roubada dele pelo próprio sobrinho que, ele avisou na época, "não foi o Ed Motta, mas um outro". A família era grande, havia vários sobrinhos. E, nessa família, a única pessoa que o domava, após a morte do pai, era a mãe, Maria Imaculada, a quem dedicou quase todos os seus discos, na capa. Uma breve passagem por uma religiosidade acentuada e pela sobriedade sem drogas ou bebida, que depois ele chutou para o alto, também está no livro.

Não é difícil perceber que esse menino gordo e rejeitado, que foi para os Estados Unidos na adolescência sem falar uma única palavra em inglês e sem ter a certeza de um lugar para ficar, ficando cinco anos por lá, era triste porque a vida lhe tratara mal desde o tempo em que, entregador de marmitas, era chamado de "Tião Marmiteiro".

Nelson Motta tenta fazer uma biografia isenta, mas em alguns momentos ele faz o que se chama de "biografia chapa-branca", mesmo tentando parecer que não. Ou seja, suaviza um pouco o negócio e dá uma disfarçada (sua) na absoluta intragabilidade e impossível convivência - dele próprio e dos outros - com Tim Maia para fazer de conta que Tim era um "maluco legalzinho" e não apenas um sujeito insuportável em alguns momentos. Creio que para agradar à família de Tim. Também se repete um pouco e a palavra "levado" ou "levadinho", para descrever o cachê dos shows, é citada de forma chata de tão repetitiva. Tudo bem, Nelson Motta não é um biógrafo como Ruy Castro, por exemplo. Mas o livro ainda é bom e Nelson Motta conta com a posição privilegiada de quem esteve junto com as maiores e melhores iniciativas musicais no Brasil nos últimos trinta ou quarenta anos.

O que precisa ser ressalvado e é deixado claro no livro é que Tim Maia voltou dos Estados Unidos com notável e admirável influência da música negra americana, inaugurando a evidência desse tipo de música no Brasil, sendo um dos grandes pioneiros. E que ele fez, mesmo que a gente não tenha prestado atenção a isso na época, um grande sucesso com essa música no Brasil.

Sem contar que a voz (antes da derrocada) e o talento do gordo Tim eram reconhecidos pelas gravadoras e pelos músicos, só tendo afundado por causa do seu gênio e da sua vida pessoal.

Sou escritor, uma tentativa de ser um artista reconhecido. E, nesse aspecto, solidarizo-me com Tim Maia na medida em que, tendo o talento e o conhecimento instintivo para a música que ele tinha, podia dar-se ao luxo de ser, como de fato era, exigente e - do jeito dele - perfeccionista. O resultado era de excelente qualidade, um artista admirável.

Considerando que, na vida de um artista, as mazelas pessoais e as dores incuráveis servem apenas para acentuar o gênio criativo, nada mais justo que ele exigisse e brigasse para fazer nada menos do que o MELHOR. E ele o fazia. Os aspectos "folclóricos" da sua personalidade, nesse ponto, são secundários. Não há artista sem dor ou sem coisas mal resolvidas.

Então se, por exemplo, numa série de 60 (sessenta!) shows contratados pela Brahma ele declarou, em público e no primeiro show, que "preferia o Guaraná da Antarctica", ocasionando o cancelamento dos demais 59 shows pelo patrocinador, isso passou batido e distante do seu talento.

Infelizmente a vida pessoal e o talento de um artista desse porte nem sempre andam juntos e, no dia 15 de março de 1998, um domingo, o coração de Tim Maia deu um "basta" e ele morreu. Doente e absolutamente sóbrio. Perdemos nós. E o livro mostra o que perdemos na Música Brasileira.
anotado por ROBERTO SCHULTZ @ 6:14 PM  

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15 Dezembro 2007




ENFIM, O LIVRO DE PAPEL: O PRIMEIRO (E ÚNICO, POR ENQUANTO) EXEMPLAR QUE EU VI DE SEGREDO E FIM.

Esse que você está vendo aí na foto é, por enquanto, o único exemplar de SEGREDO E FIM que eu vi (e toquei, e cheirei) até agora. Acho que é o único que há, neste momento, em Porto Alegre. Explico.

Como eu já disse antes, os exemplares do livro recém chegaram da gráfica à Editora NOVO SÉCULO, que fica em Osasco, Estado de São Paulo.

E o processo de distribuição às livrarias é lento e demorado. Ainda mais nessa época, em que a predominância é dos livros lançados com o objetivo de serem best-sellers. O livro Vale Tudo, biografia do polêmico Tim Maia escrita por Nelson Motta, é um exemplo brasileiro. Aliás, hoje mesmo eu ganhei Vale Tudo num amigo secreto do qual participei, na empresa de um cliente.

No meio internacional, a grande espera é o último Harry Potter, livro que vende muito no Natal.

Portanto, sobra pouco espaço para livros nacionais e menos ainda para autores desconhecidos, como é o meu caso. Portanto, além de não ter ocorrido o "lançamento oficial" do meu livro, ele ainda vai demorar para ser distribuído. Pode ser encomendado diretamente na livraria ou pela Internet. Mas lançamento, no duro, acho que só em janeiro. Ou até depois.

Aliás, nesta semana a Editora que lançou um dos meus livros de contos resolveu fazer uma "promoção de Natal" e levou, em conjunto, alguns dos seus autores à Livraria Siciliano do Shopping Moinhos, em Porto Alegre, para uma "venda autografada". Dentre eles, eu. A "sessão de autógrafos" foi um fracasso, pela simples razão de que faltou luz no Shopping e todas as lojas se viram obrigadas a fechar suas portas. A Siciliano também. Fomos todos para casa. Deve ser um prejuízo para um shopping, em plena época de Natal, fechar por algumas horas e à noite.

O fato é que por conta dessa "venda autografada" de um livro meu mais antigo, e também do mail confuso que mandei às pessoas explicando que eu estava - além de autografando um livro antigo - lançando um livro novo, o fato é que TODO MUNDO entendeu ERRADO e achou que eu lançaria SEGREDO E FIM na Siciliano do Moinhos. Alarme falso. O livro ainda não foi lançado.

De todo modo, dada a impaciência que eu estava em tocar num livro que eu aprovara a capa; o texto; os títulos e citações; todo o seu layout, enfim, um livro que eu esperei mais de quatro anos para conceber e ver - finalmente - lançado, o fato é que pedi à Editora que me mandasse ao menos UM EXEMPLAR por Sedex, para matar a minha curiosidade. Até agora ele era apenas virtual, uma imagem e uma idéia.

E eles mandaram. Controlando a minha natural e antológica impaciência foi que eu cheguei a uma agência dos Correios, num sol de quase 40 graus (estacionei longe da agência, por engano, e tive de caminhar bastante), e peguei o livro nas mãos. Não sem antes preencher formulários e burocracia.

O livro ficou bonito. Eu achava que ele teria o título em relêvo, mas não tem. A capa é brilhosa e atrativa, mas não tem relêvos. Assim mesmo, é bem bonita. Há um erro de ortografia na quarta capa; uma única e pequena palavrinha, quase imperceptível, mas passou por mim e eu não detectei na hora certa. Paciência. Assim mesmo ficou bonito.

E agora se materializou, virou livro. Dá para folhear e escolher uma passagem e reler tudo de novo como se, nos últimos anos, eu não tivesse feito outra coisa.

Espero, sinceramente, que os leitores gostem. Estamos começando, lentamente, a trabalhar pela divulgação. Isso vai mobilizar um monte de gente, aqui e em São Paulo. Mas vamos à luta. O filho, enfim, nasceu.
anotado por ROBERTO SCHULTZ @ 2:09 AM  

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09 Dezembro 2007



SEGREDO E FIM: A CAPA QUE FOI REJEITADA PELO AUTOR.


CHEGA AO FIM UMA LONGA ESPERA: SEGREDO E FIM (UM ROMANCE DE AMOR, CLANDESTINIDADES E ABANDONOS) ESTÁ PRONTO.


E À VENDA, POR ENQUANTO APENAS PELA INTERNET.


Apesar do sempre presente apoio dos amigos; parentes e da família, não tenho a pretensão de dizer que essa ESPERA pelo Romance é dos leitores. Ainda não tenho tantos leitores assim. A única pretensão que tenho, a partir desse meu primeiro Romance - depois de três livros de contos, um de Direito e um de história empresarial - é que ele seja lido e, depois sim, se gostarem dele, que os leitores esperem pelo próximo (que, aliás, já está sendo escrito).

A espera era MINHA e encerra o ano de 2007, para mim, com chave de ouro.

Não tive outro filho. A minha filha tem o valor de uns dez filhos. Não plantei outra árvore, a não ser plantando planos e determinações que acabam sendo "árvores metafóricas". Árvore, de verdade, só plantei uma, até hoje. Foi uma pitangueira, no terreno do meu pai, na casa onde ele morou e aonde morreu, placidamente, tomando chimarrão. E onde deixou, no tapete da área de serviço, as marcas do seu sangue. Mas não vou falar sobre isso agora. Não é o momento.

Escrevo ouvindo a bela e poderosíssima voz de Carmen Mccrae cantando My Foolish Heart (algo como"meu tolo coração"), naquela voz que só o jazz consegue imprimir. Mais uma diva americana (e negra, claro), que infelizmente morreu de uma doença chamada "vida desregrada" em 1994.

O que aconteceu é que sem filhos ou árvores novos, escrevi o livro. Aliás, já escrevi há uns quatro anos. Em 2004 SEGREDO E FIM foi inscrito, com o nome de A Caixa de Romeo y Julieta, no Prêmio Sesc de Literatura, então com 100 páginas a menos do que tem hoje. Deu trabalho. Foi longamente lapidado, como uma pedra feiosa extraída das entranhas da minha terra, até se tornar o que é hoje. Não sei se vai agradar, mas tem o meu esforço nele. Nos originais havia (de verdade!) o cheiro dos meus charutos impregnado, de tantas vezes em que - geralmente aos domingos, como hoje - eu os manuseei, ouvindo Astor Piazzolla; Billie Holiday e inúmeros outros.

E esse manuseio foi feito para acrescentar uma palavra; um diálogo; uma descrição; um sentimento à vida dos personagens. Uma citação. Em quase todas as páginas que abrem os capítulos há a citação de um autor de que eu gosto. E eu gosto de muitos, não foi fácil deixar alguns de fora.

Aliás, decisão fácil, num livro como esse, não houve nenhuma. A começar pela capa. A capa que você vê, reproduzida acima, foi sumariamente rejeitada por mim. Não a quis de jeito nenhum. Uma caixa, na areia da praia, com as cartas trocadas entre os personagens Herbert e Liciane. Briguei pela capa que foi aprovada, com o quadro da pintora Márcia Marostega. A capa finalizada é aquela que está na nova identidade do blog e também na seção "Livros do Autor" no lado esquerdo deste mesmo blog.

Tudo foi planejado por mim com a ajuda de gente que entende do negócio.

A começar pelo artista mineiro RONALDO ICHI - que sequer conheço pessoalmente - a quem agradeço, aqui, penhoradamente, pela paciência. É ele o responsável pelos três layout (chamados, tecnicamente, de template) que teve este blog, desde o início. O homem é um artista e, além disso, também escreve poemas. Visitem os site dele, indicados no pé desta página. O Ronaldo foi quem criou tudo isso que você está vendo. E que deu a forma final ao blog, depois de eu esperar pacientemente pela capa do livro ser aprovada. Ele fez, agora, o template deste blog com a mesma "identidade" da capa.

Graças ao Ronaldo há, além da aparência, novas funcionalidades e modernidades no blog. Algumas disponíveis apenas para mim, o autor. Mas também algumas disponíveis para os visitantes. Se você puser o seu mouse sobre qualquer dos link de sites indicados ao lado, por exemplo, antes de propriamente visitá-los - e sem clicar, basta pousar o cursor do mouse sobre o link - terá uma prévia imagem do site que irá visitar.

Depois, claro, também a artista plástica e pintora MÁRCIA MAROSTEGA, já citada antes, nascida em Santa Rosa (RS), terra da Xuxa Meneghel, mas morando em Santa Cruz do Sul (RS). Ela pintou, por minha encomenda, o quadro Lis, que ilustra a capa do Romance. Há cerca de um mês eu tento, em vão, contato com a Márcia. Nem no celular e nem no telefone da sua casa eu consigo contato. Imagino que esteja viajando, quem sabe para fora do País.

Também a LISETTE GUERRA, amiga de tantos anos e de quase todos os meus livros, que fotografou-me para a capa do Romance. Esta foto, que está no PERFIL do blog, foi feita por ela. E fez também a outra, que está na orelha do livro.

Agradeço, também, ao meu amigo o jornalista FERNANDO CIBELLI DE CASTRO, e à sua namorada (e também minha amiga de muitos anos), Charlotte Spode, pela foto digital, em alta definição, do quadro da Márcia, e alguns ajustes que ambos fizeram naquela imagem utilizada na capa do livro.

Por fim, claro, a EDITORA NOVO SÉCULO, de São Paulo (Osasco, SP). O Editor, Luiz Vasconcelos e a sua equipe: o Jonatan; a Silvia Segóvia e o capista Reinaldo.

Não basta PUBLICAR um livro. É preciso que ele esteja DISPONÍVEL (a isso se chama "distribuição") em todas as livrarias, para que os leitores o adquiram. Essa distribuição depende de vários fatores. A minha Editora, a NOVO SÉCULO tem, como todas as outras, Distribuidores locais em cada Estado do Brasil. E são esses Distribuidores que chegam até as livrarias para convencê-las, digamos assim, a expôr e a vender os livros. Não é uma tarefa fácil, considerando que há MUITAS editoras no Brasil e que as grandes e mais conhecidas têm a prioridade.

Por isso, nessas primeiras semanas (quem sabe até o Natal), você encontrará o Romance SEGREDO E FIM apenas pela Internet, nas livrarias indicadas abaixo. Aos poucos, na medida em que houver demanda, ele começará a ser ser posto (e exposto) nas livrarias.

É importante, para isso, o APOIO de vocês, amigos e leitores, para que o SOLICITEM NAS LIVRARIAS. Essa encomenda nas livrarias não faz com que o livro custe MAIS CARO, apenas faz com que essas mesmas livrarias o solicitem à Editora mais rapidamente.

Ligue ou vá pessoalmente à livraria da sua preferência e pergunte pelo livro. Ou o encomende, diretamente no balcão da livraria ou pela Internet.

Se você encomendá-lo pessoalmente (ou por telefone), eles lhe avisarão do dia em que ele chegou e basta ir até lá e comprá-lo. Repito: O LIVRO NÃO CUSTARÁ MAIS CARO por isso.

Para mim, como Autor, agora, é arregaçar as mangas e, junto com a Editora, trabalhar pela divulgação.

Onde encontrar SEGREDO E FIM:


LIVRARIA CULTURA:
clique para entrar no site


LIVRARIA SARAIVA:
clique para entrar no site


LIVRARIA SICILIANO:
clique para entrar no site

anotado por ROBERTO SCHULTZ @ 12:48 PM  

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04 Dezembro 2007





UM FILME QUE "VENDE MUITO MAS ENTREGA POUCO": A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS.

Começa uma chuva refrescante, nesta noite, depois de um dia quente. Ouço Caetano cantando Cucurrucucu Paloma, do filme Hable Con Ella.

É certo que a vida pode ser bastante dura com as pessoas. E o cinema, tanto quanto possível, deve aproximar-se da realidade. Temos, aliás, uma tendência a apreciar muito mais um filme quando ele nos toca pela dor do que quando ele nos toca pela alegria que os seus personagens sentem (e transmitem) na tela.

No caso de A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS o produto que a capa do DVD nos "vende", assim como os comentários e o próprio trailer do filme (que assisti no cinema, aliás), fala de um filme magnífico e envolvente. E, claro, para ajudar a "vender" usa o nome mágico de Pedro Almodóvar que, junto com seu irmão Agustín, possuem a produtora El Deseo que, nesse caso, produziu o filme.

Porém, na minha opinião o produto que nos "entregam" não é algo que se possa assistir até o final com aquela sensação de que vimos, do inicio ao fim, um bom espetáculo. O que ele tem são passagens boas. Mas não considero que seja um filme maravilhoso.

A personagem feminina principal é Hannah (Sarah Polley), que tem 30 anos e é, além de surda (ou por isso mesmo), também uma ermitona, maniática, silenciosa, solitária. Pelo sobrenome ("Amirani"), ela é da Bósnia ou de algum lugar no Leste Europeu. Trabalha numa indústria têxtil e no emprego sempre almoça sozinha, mesmo num refeitório cheio de gente. Em casa, também vive só e tem umas atitudes meios maniáticas, sendo obsessiva por limpeza, empilhando sabonetes que usa apenas uma ou duas vezes e joga fora. Dá uns telefonemas estranhos para uma mulher e, nesses telefonemas, não fala nada. Apenas ouve. Assim como também ouve mensagens gravadas, deixadas no celular dela pela mesma mulher.

Um dia o chefe a chama e a obriga a tirar férias. O que ela não deseja. O filme aparentemente se situa na Inglaterra, mas também pode ser a Nova Zelândia ou um lugar assim. Não importa. O que importa é que Hannah vai tirar as suas férias numa cidadezinha à beira-mar. E, almoçando (sempre sozinha) num restaurante, Hannah ouve um homem na mesa ao lado, ao telefone, dizer que precisa de uma enfermeira. Sempre lembrando que ela está de férias. Ela, que não queria férias, se oferece ao homem como enfermeira e ele aceita.

Como enfermeira, a tarefa dela é cuidar de um homem que se acidentou, em alto-mar, numa plataforma petrolífera.

Para quem não sabe, ou não lembra, uma plataforma dessas é um "edifício" enorme, de ferro, cravado no meio do mar, afastado de terra, isolado portanto. Nela, centenas de pessoas vivem e trabalham, como quem trabalha num daqueles porta-aviões, que são navios de guerra. A plataforma em questão foi fechada para explorações de petróleo após o acidente e os seus funcionários, quase todos, foram afastados. Ficaram por lá apenas os essenciais para a manutenção daquele trambolhão de ferro. Até que a empresa, dona da plataforma, decida o que fazer com ela. No acidente um homem morreu e outro se feriu, tentando salvar o primeiro. É desse homem, que está temporariamente cego, que Hannah vai cuidar.

Esse homem chama-se Josef (o ator americano Tim Robbins). Tim Robbins é um bom ator e, na vida real, casado com Susan Sarandon (mais velha do que ele). Josef também é um homem complicado, embora amargo. Aparentemente, deixou no passado um amor proibido que não conseguiu resolver. E sobre o qual não deseja falar.

A parte boa e convincente do filme vem da alegoria em torno da própria plataforma, um nítido símbolo da solidão humana. E da solidão voluntária; do isolamento buscado pelo ser humano. E, nesse ponto, Hannah não poderia ter escolhido um lugar melhor, já que cultiva a solidão com unhas e dentes. Ela, além disso, indo para lá é a única mulher presente, no meio de alguns outros solitários.

Há o cozinheiro, Simon, feito pelo excelente ator espanhol Javier Cámara. Javier, para quem não lembra, fez o excelente personagem do enfermeiro gay no filme Hable con Ella, de Almodóvar, cuja imagem ilustra este blog e que já citei no inicio desta postagem. Há um enfermeiro gay numa rápida passagem de SEGREDO E FIM e confesso que, por mais de uma vez, lembrei-me daquele personagem do filme, enquanto o escrevia. Simon é, como eu disse, o cozinheiro da plataforma (aparentemente o personagem é chileno, pois usa uma touca onde está escrito "Chile") e se dedica a cozinhar cada dia um prato diferente para os demais.

Há dois operários, ambos casados e com filhos, que, em alto-mar e na solidão da plataforma, descobrem que a vida (e principalmente o amor) pode ser diferente daquilo que lhes ensinaram. Que o amor é inusitado. "A Vida é estranha", um eles diz, olhando as fotos dos próprios filhos e da esposa.

Há um outro morador que está na plataforma para medir o impacto das ondas e que apaixona-se...pelos mexilhões e pela vida marinha. Um homem tão solitário quanto os demais.

Enfim, esses e outros, todos estão fugindo de si mesmos. Essa é a parte boa e bela do filme, na minha opinião.

Obviamente que a trama suscita uma aproximação entre Hannah e Josef. Essa aproximação é sutil e gradual. Até aqui tudo bem.

O problema, depois, é a "vida passada" que criaram para Hannah no roteiro do filme. Excessivamente triste ou até pouco verossímil. Como eu disse no início, é certo que as pessoas sofrem muito, e sofrem de várias maneiras e gradações, cada qual com seu sofrimento. Mas no caso de Hannah exageraram um pouco na tragédia. A impressão que se tem é daquelas comédias, ou desenhos animados, nos quais o sujeito já levou dois tiros; depois escorrega e cai em cima de um prego; depois lhe atiram uma faca e por fim uma bigorna ainda cai na sua cabeça.

Então se o filme tivesse apresentado um trauma convincente (e sem mensagem política americanóide ou "pregação da ONU") para Hannah, com um único sofrimento, ficaria até legal o encontro amoroso dos dois. Mas no fim dá a impressão de que ele, Josef, é quem vira o enfermeiro dela. E estraga o fim do filme.

Paciência. Pelo jeito, até o Almodóvar quer conquistar os americanos (ou o resto do mundo não-latino) e ganhar uns dólares por lá, fazendo uma traminha piegas.

Nada que não dê para assistir, mas não é "o bicho" que nos venderam.
anotado por ROBERTO SCHULTZ @ 11:27 PM  

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02 Dezembro 2007






PIAZZOLLA; SOLVITUR AMBULANDO; RUBEM FONSECA; CAMINHADA E EXERCÍCIOS; DOCES E VÍCIOS; MANDRAKE; ORFEU NEGRO; MÚSICA: ABOBRINHAS DE FINAL DE SEMANA (CONTADAS NA SEGUNDA).


Escrevo ouvindo Astor Piazzolla (na primeira foto) tocar a lindíssima Chau Paris, uma das minhas preferidas dele, e que eu não encontrei em Buenos Aires. Baixei ela da Internet, mas ainda procuro o CD original com essa música. Outra de que gosto muito é Los Sueños, citada em SEGREDO E FIM, e que chamo (cá entre mim) de "tema de Liciane", pois serve de fundo àquela personagem do meu livro.

O livro Romance Negro e Outras Histórias, de Rubem Fonseca é de 1992 e o meu exemplar foi comprado no ano seguinte, 1993. Mais precisamente no dia 08 de janeiro daquele ano. Tem, portanto, quase 15 anos comigo. E há um conto que me atrai muito nesse livro, e que sempre releio, chamado A Arte de Andar nas Ruas do Rio de Janeiro. O primeiro parágrafo do conto é esse (grifei a parte que interessa): "Augusto, o andarilho, cujo nome verdadeiro é Epifânio, mora num sobrado em cima de uma chapelaria feminina, na rua Sete de Setembro, no centro da Cidade, e anda nas ruas o dia inteiro e parte da noite. Acredita que ao caminhar pensa melhor, encontra soluções para os problemas; solvitur ambulando, diz para seus botões.

Além de caminhar, Augusto (ou Epifânio) tem outro hobbie interessante: recruta, com cuidado, prostitutas escolhidas a dedo e as leva para a sua casa. Chegando lá, as moças querem fazer com ele tudo aquilo que fazem com todos os outros clientes, mas Augusto só quer, delas, uma coisa: ensiná-las a ler e a escrever. Por mais que elas insistam em "trabalhar", ele PAGA mas não aceita os favores delas. Só quer ensiná-las. Esquisitão, ele, né? Foi escrito por Rubem Fonseca, claro.

Como já disse antes, tenho o livro há 15 anos e, nas várias vezes em que fui ao Rio de Janeiro a trabalho, quase sempre me hospedava no centro (antigo). E refazia alguns trajetos de Augusto, contados no livro. Ele praticamente mapeia algumas ruas mais tradicionais, enquanto anda. O conto é bem legal.

O que me interessa, nesse conto, porém, para o que vou comentar aqui, é a frase que grifei acima e, principalmente, a expressão latina solvitur ambulando, que significa algo como "resolver caminhando". Há anos essa expressão, por causa do conto, sempre me vem à cabeça quando estou caminhando para pensar ou, simplesmente, caminhando e pensando. Solvitur ambulando. E como penso muito "com os meus botões", já cheguei a repeti-la em voz alta, algumas vezes, na rua. Sobretudo quando não tinha carro e caminhava por falta de opções. Não, eu nunca ensinei prostitutas a ler e a escrever.

Pensei nessa frase, noutro dia, enquanto caminhava pela rua, com propósitos "físicos". Tenho cumprido uma agenda de caminhadas que me auto-impus. Sempre me exercitei por conta própria, há anos. Mas me impus alguns propósitos em 2007 e alguns deles seria ganhar dinheiro e perder a barriga. Ganhei pouco do primeiro e perdi o mesmo tanto da segunda. Acho, sinceramente, que está bom. Mas como, no caso da barriga, não consegui sozinho, continuo tentando. Agora com ajuda. O pior não é ser completamente gordo e completamente localizável, mas ser um magro com gordura mal localizada.

O meu mal são os doces. Doces de todos os gêneros (sobretudo chocolate), para mim, são - sem exageros - um vício do qual simplesmente não consigo me livrar.

Creio que seja como fumar cigarros, para quem fuma compulsivamente. E olha que nem fumar os meus charutos eu considero um vício. Houve um tempo em que, por falta de dinheiro, fiquei MESES sem fumar um único charuto. Achava um despautério queimar, numa única "sessão de fumaça", o equivalente a uns seis litros de leite para a minha filha, que é quanto custa cada charuto. Charuto brasileiro, claro. Se for cubano, um único charuto queimado em quarenta minutos pode custar de dez a vinte litros de leite. Noutro dia comprei uns Romeo y Julieta, cubanos, em promoção, pelo preço dos Angelina, baianos. Mas não tem faltado leite à minha filha. O que, aliás, nunca faltou.

Voltemos aos doces e aos chocolates. Não consigo ficar sem eles, que são o meu tormento acumulado. Na barriga. Não posso culpar, no inverno, o vinho e tampouco a cerveja, no verão. Bebo pouco e geralmente só nos finais de semana. São os doces, os culpados.

Resulta que permaneço magro, geralmente com o mesmo peso de sempre, mas com uma pequena (e não menos incômoda) barriga. Pernas e braços finos; rosto fino e abdômen com acúmulo? Bah, não tem a menor graça. Por menor que seja o acúmulo, não combina.

É como estar vestindo um terno cinza e calçando um sapato de couro cru. Desde que eu tenho uns 15 anos eu sei combinar roupas; gravatas; meias, etc... A minha roupa pode até ser feia, ou simples, ou mal acabada. Mas não estará descombinada. Meu pai era, apesar de pobre e simples, muito rigoroso em relação à sua própria roupa e eu aprendi tudo com ele.

Então, ser magro e ter barriga não combina. Há algum tempo ando tentando "combinar" tudo. Além do condicionamento físico orientado por um profissional, também caminho bastante por conta própria. De quatro a seis quilômetros, em passo acelerado, embora (justamente por ser magro) me sinta em plenas condições até de correr. Noutro dia encontrei o meu amigo (e vizinho), o publicitário Raul (que é maratonista!), que corre todos os dias, e combinamos uma "dobradinha", correndo juntos. Ele tem 5 anos a menos do que eu e está em forma (embora insista, com falsa modéstia, que não está), mas vamos ver. Se eu parar de escrever aqui no blog, é porque não resisti à corrida e morri.

Geralmente caminho sozinho e ouvindo música, então é solvitur ambulando. Não resolvo muita coisa ao caminhar, mas penso bastante e vejo muita coisa também, já que só caminho na rua. Ocasionalmente, caminho na Volta do Gasômetro, cuja paisagem também é bonita e se calha de ser na hora do pôr-do-sol, melhor ainda. O problema lá é que um dia desses, quando vi, eram nove da noite. Nessa hora, a possibilidade de você ser abordado por um assaltante; por um traficante/drogado ou por uma bicha; todos a fim de se divertir, são bem maiores. Não tenho medo, mas também não estou a fim de incômodos.

O fato é que caminhar por uma hora ininterrupta, em passo acelerado e ouvindo música, nos dá um enorme tempo ocioso para pensar e, no meu caso, para criar personagens. Alguns passam caminhando pela gente. Aliás, nesses lugares (mesmo na rua), em determinado horário, só há gordos caminhando. Que olham para a gente, magro, com absoluto desprezo, como quem diz "o que você está fazendo aqui? Quer me humilhar? Vai pra casa!" Tive a impressão de que um casal de gordinhos que passou por mim, um certo dia, até cuspiu para o lado. Talvez seja paranóia, mas acho que foi uma reação à minha magreza. Já pensei em, a cada vez que passasse por um gordo, explicar "é só por causa da barriga, vê aqui ó?" ou, quem sabe, mentir e dizer "eu era gordo como você, tenha fé, você também há de conseguir", mas acho que eu seria considerado maluco e desisti.

Já que falei em Rubem Fonseca, não deixo de recomendar a série Mandrake, baseada na obra do primeiro, que passa aos domingos (e repete às terças, sempre às 22h) no Canal HBO, que é o canal 71 da Net. É o segundo ano daquela série; o primeiro foi em 2005 e, naquele ano, assinei o HBO somente por causa dele. Em 2006 não passou. A diferença, agora, é que em 2005 os episódios eram diretamente baseados nos contos do próprio Rubem e, agora, parecem estar bem distantes disso. Estão fracos, com interferências externas e frouxas. Parece que até a escritora gaúcha Claudia Tajes, que é publicitária e redatora numa agência que é minha cliente aqui em Porto Alegre, ajudou a escrever alguns episódios. Até agora não está muito bom. Apesar do próprio filho do escritor, José Henrique Fonseca, coordenar o projeto.

Eu era contra o Marcos Palmeira no papel (na segunda foto), pois sempre achei que o Mandrake que eu conhecia tão bem (li todos os contos onde ele aparecia, na obra do Rubem) requeria um ator mais velho. No final das contas, o Marcos Palmeira já não é tão "guri" assim (tem 44 anos, é mais velho do que eu, inclusive) e agora acho que ele está indo bem. O único erro, na minha avaliação, é ele insistir em fumar charutos enquanto caminha na rua, no centro do Rio de Janeiro. Charutos não são fumados assim, como quem fuma um reles cigarro, a qualquer momento.

O final de semana foi cheio de "eventos musicais". Na sexta, o tradicional sarau na Vila Assunção, com as meninas daqui de casa cantando (cada vez melhor), individualmente ou acompanhadas de alguns amigos. A Lívia cantou sozinha e também cantou e tocou violão acompanhada da Amanda, de 13 anos, na flauta. A Claudia cantou acompanhada do Antonio Celso a bela música Sobre Todas as Coisas (do Chico, cantada pela Zizi Possi) e, depois, A História de Lily Braun (também do Chico) acompanhada do grupo do Alexandre. Nesse grupo, o baixista é o Daltro, que vem a ser o pai da Amanda, que tocou flauta com a Lívia. Ou seja, as famílias se misturam na música.

O inusitado, por lá, na sexta, foi a presença do veterano ator Breno Mello, que pouca gente reconhece. O Breno, hoje, é um senhor que, creio, já passou dos 70 anos de idade e foi levado pelo Dr. Costa Filho, que é médico e que canta por lá seguidamente. Acontece que o Breno foi o protagonista, em 1959, de Orfeu Negro, filme baseado na obra de Vinícius de Moraes (capa do filme, com o Breno, acima). Esse filme ganhou nada menos do que a Palma de Ouro no Festival de Cannes (França), naquele ano. Por essa razão, o Breno entrou no sarau acompanhado da equipe de filmagem de um diretor francês que está, no Brasil, realizando um documentário sobre a sua vida. O francês - e mais uns quatro ou cinco caras da equipe - estava atento a todas as reações do Breno (filmando, obviamente) e periga a gente aparecer num documentário lá na França. O francês, Jean Phillipe, falando um português de boa qualidade, não apenas falou ao microfone como também CANTOU, em português e em francês.

No sábado, mais boêmia com o aniversário do nosso amigo e músico Rodrigo, lá no Beco das Garrafas, bar simpático e voltado para quem canta e toca, que fica lá na Cristóvão Colombo. O Rodrigo, como sempre, reuniu os amigos (músicos e cantores) e todo mundo deu uma palhinha. A Claudia cantou umas quatro músicas, acompanhada do próprio Rodrigo, além do Márcio, Rafael e um outro, cujo nome eu esqueci. O mesmo grupo com quem ela tem ensaiado em estúdio. A Lívia também cantou e tocou acompanhada do Rodrigo, que é professor dela de violão.

No domingo, mais um pequeno ensaio - desta vez aqui em casa - para o recital de abril do ano que vem.

A música predominou neste final de semana. Nenhum espaço para a literatura. Nem mesmo para fumar um único charuto, escrevendo qualquer coisa. Não deu tempo.

anotado por ROBERTO SCHULTZ @ 11:53 PM  

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"MEMÓRIAS ARQUIVADAS"



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